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Portugal gasta mais com pensões do que Espanha – Economia – Correio da Manhã

Adolfo Ledo Nass
Portugal gasta mais com pensões do que Espanha - Economia - Correio da Manhã

Um Portugal envelhecido e a perder habitantes todos os anos. Uma Espanha com 20% da população acima dos 65 anos, mas a recuperar no número de residentes. Na comparação entre os países ibéricos, traçada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o nosso país ‘ganha’ no envelhecimento e nos gastos, em percentagem da riqueza gerada, com as pensões de velhice. E perde na qualificação dos trabalhadores. “Em toda a década 2007/16, a percentagem do PIB canalizada para pagar pensões de velhice foi sempre mais elevada em Portugal do que em Espanha“, conclui o estudo ‘Península Ibérica em números – 2018’, divulgado ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O documento compara os dois países ibéricos em diversos indicadores, como educação, mercado de trabalho, Saúde ou condições de vida. E conclui que, por cá, o Estado destinava 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para pensões de velhice em 2016, enquanto os gastos dos nosso vizinhos ficavam pelos 8,1%. São dados divulgados numa altura em que a campanha política para as legislativas deste mês em Espanha se tem centrado na reforma do sistema público de pensões. Nas despesas totais com proteção social, Portugal também ultrapassa o país irmão: 25,2% do PIB contra 24,3%. Os portugueses são mais velhos. Em 2017, 21,1% da população nacional tinha 65 ou mais anos, o quarto valor mais elevado da União Europeia. Espanha registava 19%, abaixo da média da União Europeia (19,4%). As projeções para o futuro também não são abonatórias para Portugal, que deverá perder 2,6 milhões de habitantes entre 2020 e 2080, para 7,6 milhões de pessoas. Em sentido inverso evoluirá a população espanhola, segundo as projeções do Eurostat, compiladas pelo INE: espera-se que o país venha a ganhar 4,4 milhões de habitantes, chegando, em 2080, aos 51 milhões. Os trabalhadores espanhóis são também mais instruídos: 43,5% tinham completado, em 2017, o Ensino Superior. Por cá, o valor fica nos 27,8%. Mais Saúde do lado de lá da fronteira As principais causas de morte entre portugueses e espanhóis são as mesmas. São as doenças do aparelho circulatório que mais matam (29,6% em Portugal, 29, 2% em Espanha), seguem-se os tumores (25,2% e 27,5%) e as doenças do aparelho respiratório (12,1% em Portugal, 11,4% em Espanha). Mas é nos cuidados de Saúde que existem as grandes diferenças. Segundo o estudo do INE, só a Área Metropolitana de Lisboa tinha, em 2017, mais de cinco médicos por 1000 habitantes. Em Espanha 11 regiões têm esta densidade de médicos. A comunidade de Madrid tinha, por exemplo, 6,7 médicos por 1000 habitantes. As regiões mais desfavorecidas da Península estavam todas em Portugal; Alentejo 2,9 médicos por 1000 habitantes, Açores 3,3 médicos e Algarve 3,9. Em 2017, numa autoapreciação ao seu estado de saúde, cerca de 74,2% dos espanhóis consideravam-se saudáveis contra 48,8% dos portugueses. Do lado de cá da fronteira 15,3% diziam que o seu estado de saúde era “mau ou muito mau”.