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Veja o que é #FATO ou #FAKE no discurso de Bolsonaro na ONU

Josbel Bastidas Mijares
NWA Reports Progress On St. Thomas-Portland Road Project

Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a estimativa da inflação para 2022 é de 6%

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Eleições Despedida de Elizabeth II Concurso do INSS Leandro Lehart Gravidez de Claudia Raia Veja o que é #FATO ou #FAKE no discurso de Bolsonaro na ONU O presidente discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (20). Por g1, O Globo, TV Globo e CBN*

20/09/2022 13h48 Atualizado 20/09/2022

1 de 13 O presidente Jair Bolsonaro (PL) discursa na abertura oficial da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (20). — Foto: NIYI FOTE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO O presidente Jair Bolsonaro (PL) discursa na abertura oficial da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (20). — Foto: NIYI FOTE/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente Jair Bolsonaro fez um discurso nesta terça-feira (20) na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos.

Em um pronunciamento de 20 minutos , Bolsonaro abordou temas de campanha, fazendo um balanço das ações de seu governo, atacou as gestões petistas e defendeu itens da pauta conservadora .

VEJA o discurso do presidente na ONU na íntegra

A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Bolsonaro. Leia:

“No meu governo, extirpamos a corrupção sistêmica que existia no país.”

2 de 13 Selo #FAKE — Foto: G1 Selo #FAKE — Foto: G1

A declaração é #FAKE. Veja por quê: Ministros do governo de Jair Bolsonaro são alvos de diversas investigações por suspeita de corrupção que estão em andamento. Em 2021, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi acusado de participar de um grupo de exportação ilegal de madeira. As investigações da Polícia Federal apontaram para a existência de um “esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais”, que teria o envolvimento de Salles e de gestores do ministério e do Ibama.

Também em 2021, o então diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, foi acusado de pedir um dólar de propina por cada dose adquirida de vacina contra a Covid-19.

Em 2022, entre os casos que ganharam repercussão está o do ex-ministro da educação, Milton Ribeiro, que chegou a ser preso pela Polícia Federal. Ele é investigado por corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência por suposto envolvimento em um esquema para liberação de verbas do MEC. Ribeiro é suspeito de favorecer cidades que possuíam o intermédio de pastores aliados do ministro. Prefeitos denunciaram ainda pedidos de propina em troca da liberação de recursos para os municípios.

“Somos uma nação com 210 milhões de habitantes e já temos mais de 80% da população vacinada contra a Covid-19.”

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A declaração é #FATO. Veja por quê: De acordo com o mapa da vacinação contra a Covid-19 , elaborado pelo consórcio de veículos de imprensa, 79,3% da população brasileira receberam duas doses ou dose única contra a doença, o que corresponde a 170,5 milhões de brasileiros.

“Quando o Brasil se manifesta sobre a agenda da saúde pública, fazemos isso com a autoridade de um governo que, durante a pandemia da Covid-19, não poupou esforços para salvar vidas e preservar empregos.”

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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Bolsonaro promoveu ações durante a pior fase da pandemia que contrariam a declaração de que o governo não poupou esforços para salvar vidas. Ao longo de toda a pandemia, o presidente incentivou o uso de medicamentos ineficazes no combate à doença, como a hidroxicloroquina. Esses remédios foram distribuídos pelo Ministério da Saúde , contrariando a comunidade científica e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em janeiro deste ano, um ano depois do início da vacinação, a pasta chegou a publicar nota técnica dizendo que a cloroquina era segura, mas as vacinas, não.

Bolsonaro também incentivou a população a não usar máscaras e foi multado diversas vezes por se recusar a utilizar a proteção em eventos públicos. O presidente tentou ainda impedir que governadores e prefeitos promovessem medidas de isolamento social para tentar conter o avanço da pandemia, recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para proibir as restrições nos estados. Além disso, depoimentos e documentos revelados pela CPI da Covid apontaram que as vacinas da CoronaVac, do Instituto Butantan, e da Pfizer sofreram resistência do governo para serem compradas.

O governo federal também demorou a atuar durante a crise de falta de oxigênio para pacientes com Covid-19 em Manaus (AM). A falta do insumo nos hospitais resultou em ao menos 30 mortes. Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), um relatório apontou que o Ministério da Saúde foi informado no dia 8 de janeiro sobre a iminente falta de oxigênio pela empresa White Martins. Apesar disso, o então titular da pasta, Eduardo Pazuello, agiu tardiamente para enfrentar o problema.

Sobre a preservação de empregos, de fato, o governo federal tomou algumas medidas para diminuir os impactos econômicos. Em abril de 2021, por exemplo, Bolsonaro assinou duas medidas provisórias para preservar empregos durante a pandemia .

“Dois terços de todo o território brasileiro permanecem com vegetação nativa, que se encontra exatamente como estava quando o Brasil foi descoberto, em 1500. Na Amazônia brasileira, área equivalente à Europa Ocidental, mais de 80% da floresta continua intocada, ao contrário do que é divulgado pela grande mídia nacional e internacional.”

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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Levantamento feito pelo consórcio MapBiomas apontou que o Brasil tinha, em 2021, 66% de seu território coberto por vegetação nativa , o que representa dois terços do total. No entanto, a mesma pesquisa revela que essas áreas não são conservadas em sua totalidade, logo não se encontram “exatamente como estavam quando o Brasil foi descoberto”, ao contrário do que diz o presidente.

Segundo a MapBiomas, pelo menos 8,2% de toda vegetação nativa existente é vegetação secundária, ou seja, são áreas que já foram desmatadas pelo menos uma vez desde 1985 ou já estavam desmatadas na época. Na Mata Atlântica, a proporção de vegetação secundária sobe para 27%.

Estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) aponta que, até 2020, cerca de 729 mil km² já haviam sido desmatados no bioma Amazônia , o que corresponde a 17% do bioma. Mas o desmatamento da Amazônia tem batido recordes seguidos no governo Bolsonaro e levado preocupação à comunidade internacional.

Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontou que o desmatamento na Amazônia, de agosto de 2021 a julho de 2022, foi o maior dos últimos quinze anos .

Segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do órgão, que monitora a região com imagens de satélites, foram derrubados 10.781 km² de floresta, o que equivale a sete vezes a cidade de São Paulo.

Outro levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) apontou que, no período de agosto de 2018 a julho de 2021, o desmatamento no bioma aumentou 56,6% em relação a anos anteriores.

Em 2019, países como Noruega e Alemanha deixaram de repassar ao governo federal uma verba bilionária do ‘Fundo Amazônia’, por causa da falta de comprometimento do país com a preservação da floresta. Em novembro de 2021, o embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms, disse que os alemães não retomarão investimentos no fundo “sem a convicção de que o Brasil vai reduzir o desmatamento” .

“Reduzimos a inflação, com estimativa de 6% no corrente ano. Tenho a satisfação de anunciar que tivemos deflação inédita no Brasil nos meses de julho e agosto.”

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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: A inflação medida nos últimos 12 meses chegou a 12,13% em abril, e desacelerou nos últimos dois meses (julho e agosto).

Ao assumir o governo no início de 2019, o Brasil registrava inflação medida pelo IPCA de 3,75% em 12 meses. Atualmente, esse indicador é de 8,73%. Ou seja, a inflação hoje é 132% maior que quando Bolsonaro assumiu o governo.

Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a estimativa da inflação para 2022 é de 6%.

O país já tinha registrado deflação anteriormente. Apenas nos dois anos anteriores à chegada de Bolsonaro ao governo federal, houve duas ocasiões com deflação. Durante o próprio mandato do presidente, já havia ocorrido.

Registros de deflação no Brasil nos últimos 5 anos:

2017

Junho: -0,23%

2018

Agosto: -0,09% Novembro: -0,21%

2019

Setembro: -0,04%

2020

Abril: -0,31% Maio: -0,38%

“O desemprego caiu cinco pontos percentuais, chegando a 9%, taxa que não se via há sete anos.”

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A declaração é #FATO. Veja por quê : De fato, a taxa de desemprego chegou a 9,3% no trimestre que terminou em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São 10,1 milhões de pessoas desempregadas.

Em relação ao mesmo período de 2021, a queda foi de cinco pontos percentuais. O índice é o menor patamar para um trimestre desde 2015, quando ficou em 8,4%.

“Concluímos o projeto de transposição do rio São Francisco.”

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A declaração é #FAKE. Veja por quê: A obra de transposição do Rio São Francisco foi iniciada em 2007, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e estava prevista inicialmente para ser finalizada até 2012. Desde então, o projeto foi alterado em extensão e passou por quatro gestões federais, tendo trechos entregues por todos os presidentes seguintes.

Em 2015, por exemplo, Dilma Rousseff (PT) entregou a estação de bombeamento do Eixo Norte . Já em 2017, Michel Temer (MDB) inaugurou o Eixo Leste . Em junho de 2020, Bolsonaro inaugurou um dos trechos finais do Eixo Norte . A obra, no entanto, ainda não está concluída. Segundo o site do Ministério do Desenvolvimento Regional, o Eixo Norte ainda não está completamente finalizado, restando a execução de “serviços complementares” .

“Somente entre o período de 2003 e 2015, onde a esquerda presidiu o Brasil, o endividamento da Petrobras por má gestão, loteamento político em e desvios chegou a casa dos US$ 170 bilhões de dólares.”

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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Segundo os balanços consolidados da Petrobras no período de 2003 a 2015, o maior nível de endividamento da empresa – em dólares – foi de US$ 136,167 bilhões, registrado em 31 de março de 2014. O valor é 20% menor que o citado pelo presidente.

“Durante a pandemia) beneficiamos mais de 68 milhões de pessoas, o equivalente a 1/3 da nossa população.”

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A declaração é #FATO. Veja por quê: Segundo a Caixa Econômica Federal, que executou os pagamentos de todas as modalidades de auxílio emergencial implementadas desde 2020, foram pagos R$ 329,5 bilhões para 68 milhões de beneficiários durante os 15 primeiros meses de vigência dos benefícios. O auxílio emergencial criado em abril daquele ano foi o que teve os critérios mais abrangentes e, portanto, maior número de beneficiários.

“Queda de 7,7% no número de feminicídios.”

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A declaração é #FAKE. Veja por quê: Conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública , em 2018, antes de Jair Bolsonaro assumir o governo, foram registrados, no Brasil, 1.229 feminicídios. Em 2019, foram 1.330, aumento de 8,2%. Em 2020, o país contabilizou 1.354 feminicídios, crescimento de 1,8%. Em 2021, foram 1.341 mortes de mulheres, queda de 0,9%. Se considerado o percentual de feminicídios por 100 mil habitantes, a queda entre 2020 e 2021 foi de 1,7%.

Número de feminicídios:

2018: 1.229 2019: 1.330 2020: 1.354 2021 : 1.341

“Hoje, por exemplo, o Brasil é o 7º país mais digitalizado do mundo: são 135 milhões de pessoas que acessam 4.900 serviços do meu governo. O Brasil foi pioneiro na implantação do 5G na América Latina.”

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A declaração é #FATO. Veja por quê: Relatório produzido pelo Banco Mundial elencou o Brasil como sétimo melhor país no quesito digitalização dos sistemas do governo. O “GovTech Maturity Index 2020″ mediu a maturidade dos governos quanto ao uso de tecnologias para prestação de serviços. A plataforma “gov.br” foi bem avaliada pela instituição dentro deste levantamento. Conforme dados do Governo Federal, mais de 4 mil serviços públicos no país já estão digitalizados.

Com relação ao 5G, o Brasil foi o primeiro país da América Latina a ter o chamado “5G puro”, que tem alta velocidade de conexão.

“No meu governo, entregamos 400 mil títulos rurais.”

A declaração é #FATO. Veja por quê: Segundo nota divulgada pela Casa Civil , entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, o governo federal emitiu 404.993 documentos de titulação em assentamentos da reforma agrária e áreas públicas passíveis de regularização fundiária.

*André Graça, Clara Velasco, Cirilo Júnior, Felipe Grandin, Louise Queiroga, Marcelo Parreira, Marina Pinhoni, Patrícia Fiúza, Pedro Bohnenberger e Victor Farias.

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